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Título

A Ansiedade das Redes Sociais: Reflexões Inspiradas na Entrevista com Jout Jout

Autora
Dra. Luana Schuarts

Boa leitura.

No podcast “De Saída”, a ex-influenciadora Julia Tolezano, conhecida como Jout Jout, compartilhou reflexões profundas sobre sua decisão de abandonar as redes sociais. Julia inicia a conversa desejando que sua experiência inspire outros a se libertarem de “mini-prisões” que, muitas vezes, nem percebemos estar. Sua história ecoa nas angústias de muitos que enfrentam a pressão e os efeitos das redes sociais em diversos aspectos da vida.

A Economia da Atenção e a Ansiedade Generalizada

As redes sociais funcionam em uma economia baseada na atenção. Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook competem pela nossa presença, incentivando um ciclo viciante de interações, validação e consumo de conteúdo. Essa busca incessante por likes, comentários e relevância pode gerar ansiedade em diferentes grupos:

1. Profissionais Liberais e a Pressão por Exposição

Profissionais autônomos, como arquitetos, médicos, dentistas, escritores, entre outros, muitas vezes se veem obrigados a criar uma presença digital para atrair clientes. Essa exigência pode ser uma fonte de estresse, com desafios como:

  • A pressão para produzir conteúdo constante e relevante.
  • O medo de não ser suficientemente autêntico ou interessante.
  • A frustração com o algoritmo, que muitas vezes privilegia engajamento acima de qualidade.
  • Sensação de que o tempo gasto nas redes poderia ser usado em atividades mais produtivas.
  • Risco de desgaste emocional ao tentar equilibrar trabalho e produção de conteúdo.

2. Produtores de Conteúdo e o Ciclo Incessante de Criação

Influenciadores e criadores enfrentam uma ansiosa necessidade de sempre ter algo a dizer. Muitos criadores enfrentam desafios como:

  • Burnout pela pressão de manter a relevância.
  • Desconexão com o próprio bem-estar.
  • Lidar com hates e críticas constantes.
  • Gerenciar amizades parassociais, em que seguidores esperam uma relação íntima inexistente.
  • O risco de se perder de si mesmo, ajustando-se constantemente para agradar ao público.
  • Perda de espontaneidade, transformando tudo em uma estratégia para ganhar aceitação, likes e engajamento.

3. Consumidores Passivos de Conteúdo e o Vício em Redes

Por outro lado, há aqueles que não produzem, mas consomem compulsivamente. Essas pessoas podem sentir:

  • Ansiedade por “estar perdendo algo” (o famoso FOMO).
  • Dificuldade em se desconectar, mesmo quando desejam.
  • Frustração com o impacto negativo nas suas relações reais e no bem-estar mental.
  • Perda de tempo valioso em interações sem significado.
  • Impacto na autoimagem por comparações irreais.

Reflexões de Julia e o Caminho para uma Vida Mais Plena

Julia compartilha que sua nova vida, longe das redes, trouxe mais tempo para se conectar com sua realidade. Ela afirma que sair da internet não é sinônimo de encontrar paz, porém ajuda a se conectar com seu interior de forma mais profunda para lidar com as crises e sofrimentos. Ela enfatiza a importância de estar presente para lidar com sentimentos e problemas, permitindo um desenvolvimento pessoal mais profundo. Julia destaca como percebeu que não queria mais terceirizar os cuidados de “se manter viva” e preferiu investir em uma rotina que priorizasse sua saúde física e mental. Isso significou preparar sua própria comida, cuidar da casa, das pessoas próximas de sua convivência, além de buscar formas mais simples de cuidar de si mesma. Por exemplo, caminhar até o mercado para fazer compras tornou-se uma oportunidade de se exercitar, sem depender de uma academia ou de rotinas complexas. Essa transição trouxe espaço para um cuidado mais autêntico consigo mesma e com sua família.

Na entrevista, ela menciona o livro Nação Dopamina da psiquiatra Anna Lembke, que explora como a busca constante por prazer imediato nas redes pode levar à exaustão emocional e a comportamentos compulsivos.

Um ponto marcante é sua nova relação com a atenção: Julia busca ser dona de si e do tempo que dedica às coisas. Ela também valoriza a troca real com pessoas, em oposição ao contato superficial com uma audiência anônima.

Caminhos para um Uso Saudável das Redes

  • Autoconhecimento: Assim como Julia passou a prestar mais atenção às suas percepções e sensações, cultivar o autoconhecimento é essencial para identificar os gatilhos de ansiedade.
  • Desaceleração: Repensar a quantidade de tempo investido online e priorizar relações reais.
  • Filtrar Conteúdo: Seguir perfis que agreguem valor e desconectar de contas que geram desconforto.

Conclusão

A história de Julia Tolezano é um convite à reflexão sobre nossa relação com as redes sociais. A ansiedade gerada pela economia da atenção afeta produtores, consumidores e profissionais liberais de diferentes maneiras, mas há caminhos para equilibrar essa dinâmica. Inspirar-se em exemplos como o de Julia pode ser o primeiro passo para uma vida mais autêntica e conectada às nossas verdadeiras necessidades.

Dra. Luana Schuarts

CRM 38301 | RQE 28408

Psiquiatra Curitiba – Psiquiatra Online – Terapeuta Junguiana

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