A CLÍNICA

Psiquiatra Dra. Luana Schuats

A clínica é um espaço onde a experiência humana pode ser acolhida com tempo, rigor e responsabilidade.

Aqui, o sofrimento não é tratado como algo a ser eliminado rapidamente, mas como uma expressão legítima de um processo psíquico que pede compreensão, elaboração e cuidado. Nem toda crise é apenas um sintoma.

O trabalho clínico começa pelo respeito ao ritmo de cada pessoa e à complexidade do momento que ela atravessa.


O tempo como eixo

A clínica não se organiza pela urgência de resultados.
Ela se organiza pelo tempo — tempo de escuta, tempo de elaboração, tempo de amadurecimento psíquico.

Nem tudo pode ser compreendido de imediato.
Nem tudo pede intervenção rápida.

Algumas experiências precisam, antes, ser acompanhadas para que possam adquirir forma, sentido e lugar na vida psíquica.


A escuta

A escuta clínica não busca respostas prontas nem interpretações apressadas.
Ela se orienta pela atenção ao que se apresenta, ao que se repete e ao que ainda não encontrou linguagem para ser dito.

Escutar, aqui, também envolve reconhecer limites:
saber quando interpretar, quando sustentar o silêncio e quando permitir que o próprio processo encontre seu caminho.


O cuidado clínico se sustenta em rigor diagnóstico, responsabilidade ética e clareza de limites.
A clínica não promete transformação, nem oferece garantias.

Ela oferece enquadre, continuidade e presença.

O limite não é obstáculo ao cuidado.
É o que o torna possível, consistente e sustentável ao longo do tempo.


Integração psiquiatria–psicoterapia

A psiquiatria e a psicoterapia se articulam conforme a necessidade de cada caso.

Quando indicado, o acompanhamento medicamentoso integra o processo clínico, sendo avaliado com critério e continuamente reexaminado ao longo do tempo. Não como solução mágica, mas como recurso para estabilizar o campo psíquico e permitir o trabalho de elaboração.

Não há protocolos rígidos nem hierarquias fixas entre abordagens.
Há escuta clínica, avaliação constante e responsabilidade.


Singularidade e sentido

Cada pessoa chega à clínica em um momento distinto de sua vida psíquica e existencial.
O trabalho não se orienta por modelos universais, mas pela singularidade de cada história, de cada impasse, de cada forma de estar no mundo.

O sofrimento pode ser o ponto de partida,
mas o horizonte do trabalho clínico inclui a ampliação da consciência, a integração emocional e a construção de sentido.

Generalizações empobrecem o cuidado.
A clínica exige precisão.


A clínica não é um espaço de respostas rápidas.
É um espaço onde algumas perguntas podem ser sustentadas com cuidado, ao longo do tempo.

O primeiro encontro serve para avaliar se este é o enquadre adequado e se este é o momento possível para esse tipo de trabalho clínico.